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Mostrando postagens de janeiro, 2021

No fundo, bem lá no fundo...

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No fundo eu queria que a mãe entendesse que tenho feito tudo que posso pelo bem estar dela. Mas pela sua condição, pode ser que ela nunca entenda. Mas é também  minha responsabilidade tomar decisões difíceis. O importante  é que ela tenha qualidade de vida. Um vida sem lembranças. E que eu consiga ajudá-la sem me perder no caminho.  Pois se eu me perder, perde-se tudo.

Lembranças

Me peguei pensando em como seria triste esquecer-me dos momentos que vivi. Sofrer esse apagão na memória pela doença de Alzheimer. Imaginei, por descuido, como seria se eu esquecesse dos momentos felizes que vivi com minha filha: o dia do seu nascimento, os primeiros passos, as primeiras palavras, os encontros, os passeios,... Me senti muito mal. Mas é assim que funciona. A evolução da doença faz um estrago no que recordamos de bom e de ruim. Sem critérios. Sem escolhas. Seria ótimo escolher o que esquecer. Mas, como bem sei, o universo parece seguir indiferente à nós. Não dá pra ser feliz assim. Por isso, os pacientes de Alzheimer se deprimem. A depressão é um dos sintomas marcantes da doença. 

Cuidando de quem cuida

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Quem cuida de alguém com Alzheimer, sobretudo se for seu familiar, também precisa ser cuidado. Um mergulho na rotina do doente -uma rotina sem continuidade, repetitiva, inquieta e indiferente -, levá-nos a um mundo distante de nós mesmos.  A Abraz (Associação Brasileira de Alzheimer) possui iniciativas de apoio emocional aos cuidadores. Em particular, agradeço muito a Psicóloga Suzete Cassalha e aos demais participantes do nosso grupo.  Só quem convive com o Alzheimer consegue aperceber-se da complexa rede de problemas e desafios envolvidos nessa  missão. Também conto com a preciosa ajuda de meus amigos que dedicam um tempo para me ouvir.  Aos cuidadores que passam por aqui, eu deixo um conselho: não abram mão das pessoas ao seu redor. O isolamento é.a.pior forma de cuidar-se.