O brilho eterno de uma mente sem lembranças

No filme incrivelmente maravilhoso "O brilho eterno de uma mente sem lembranças" as pessoas vivem a possibilidade de poder apagar as lembranças indesejadas da memória: um amor que não deu certo, a lembrança de uma pessoa ou animal que morreu, um acontecimento indesejado...tudo pode ser apagado. A história é linda e a possibilidade é tentadora. 
Mas não é assim com o Alzheimer. 
A doença não nos oferece escolha. Como foi bem retratado no filme "Para sempre Alice". Não podemos escolher o que esquecemos. Não está sob nosso controle o que esquecer e o que lembrar. 
Por isso o Alzheimer é cruel.
Não é por descaso que minha mãe esquece quem sou ou quem é minha filha. É por acaso que ela lembra do nome de um vizinho e esquece até que tem netas.
Uma mente sem lembranças não brilha, sobretudo quando as lembranças apagadas eram aquelas que davam sentido à vida.

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